Autárquicas 2009 - António Ramalho

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Olé Quim-Zé (ou a triste sina da Praça de Touros de Estremoz)

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Tive uma educação tradicional, conforme aquilo que era normal para a época. Em Estremoz, por altura da minha infância, a tourada fazia parte do percurso de endoculturação de qualquer criança. Não me lembro de ninguém da minha geração que não gostasse de assistir a uma corrida de touros. Aliás, só para medir este fenómeno cultural, integrando-o na sua própria época, o meu primeiro ídolo não foi nem jogador de futebol nem uma estrela de Rock, foi o Quim-Zé, um cavaleiro tauromáquico eborense. Nos resquícios da minha memória ressoam ainda os brados com que os aficionados brindavam as suas lides: “Olé Quim-Zé”.

Com o passar do tempo, mercê de outras vivências, de outras influências, de fenómenos de aculturação e até de desculturação, outros interesses se sobrepuseram à tauromaquia na minha hierarquia de preferências. Hoje sou um aficionado bem menos entusiasta relativamente àquilo que era no passado. Já não sou capaz de gastar dinheiro e tempo para ir assistir a uma corrida fora de Estremoz ou de alterar a minha agenda para assistir a uma transmissão televisiva da festa brava. Mas não, não renego a minha cultura e, por conseguinte, pelo menos em Estremoz, costumo assistir às touradas.

Costumava, deveria ter dito, porque afinal a nossa centenária praça está a degradar-se continuamente e já nem sequer reúne condições de utilização para merecer o licenciamento da Direcção Geral dos Espectáculos. Só episodicamente, recorrendo a estruturas móveis, podemos desfrutar deste espectáculo. É confrangedor… e triste.

Olho para o lado e o que vejo? Elvas tem o seu Coliseu, edificado em cima da antiga praça; Évora tem a sua Arena; o Redondo… mas então nós não somos capazes de fazer o mesmo?

Este é daqueles investimentos que – sem ser de “retorno garantido” – tem potencial de sustentabilidade. Criando uma nova estrutura apetrechada com novas valências (e fontes de rendimento), podemos voltar a ter uma sala de espectáculos (tauromáquicos e não só) condigna e com potencial de rendibilidade para despertar o interesse da iniciativa privada através da concessão do direito de exploração.

Há que sentar as pessoas à mesa. Há que avaliar a verdadeira natureza dos obstáculos que estão a fazer com fiquemos para trás em relação aos municípios vizinhos. Vamos visitar Elvas, Évora ou Redondo, vamos aprender com a experiência de outros e capitalizar tais saberes adaptando-os à nossa realidade. O primeiro passo é QUERER.

Eu, como candidato a Presidente da Câmara, QUERO. QUEIRAM os meus concidadãos tanto como EU e VAMOS VOLTAR A REEDIFICAR A NOSSA PRAÇA.

 

 


 

Notas:
[1] Joaquim José Correia faleceu ainda jovem, colhido mortalmente na Praça de Touros do Campo Pequeno, após queda do cavalo, em 16 de Outubro de 1966. O “carrasco” foi um imponente touro (580 Kg), da Ganadaria de Rio Frio, chamado “Carvoeiro”.

[2] As fotos foram tiradas dos sítios para os quais as hiperligações apontam.

[3] A foto de Joaquim José Correia foi retirada de...
http://farpasblogue.blogspot.com/2009/03/nao-ha-semelhancas-com-o-caso-varela.html

 

Actualizado em Sexta, 04 Setembro 2009 18:57  

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